Milla fez uma retrospectiva muito acurada deste ano, claro que no que tange às suas experiências. No que me toca a mim, sei que foi mais do que perfeita, mais do que eu mesmo seria capaz.
Acho que ela, mais do que eu, esteve sempre atenta ao fato de que um processo se desenrolava, e isso desde o primeiro momento. Ela, mais do que eu, guardou as datas e seus significados. Eu a amo por isso, e agradeço. Eu sou um crente; ela é a sacerdotisa que mantém velas acesas e incenso no ar, mesmo quando eu durmo. Eu não podia querer alguém melhor.
O ano, por tê-la, foi-me belo. Mesmo quando divergimos, e isso houve, mesmo quando não nos entendemos, e isso houve. Viver tem sido melhor porque eu a tenho pulsando dentro de mim, e sua voz ecoa em minha mente. As vezes em que dúvidas impediram que isso acontecesse tornaram viver uma experiência solitária e muito estranha. Não sei se saberia viver desse modo novamente. Certamente não quero. Duvido que eu tivesse o mesmo com outra.
Lembro a ela diversas vezes: sou o Dono e ela me pertence. Exatamente por isso, sinto-me na posição mais frágil.
Quantas vezes você, que me lê, não perdeu algo que tinha, e que lhe era precioso? Algo que definitivamente não queria perder? E perdeu, mesmo assim. E sofreu o que não imaginava sofrer.
Sim, você pode até ter substituído posses que eram substituíveis. Mas seriam, de fato? Seu cão fugiu. Outro cão o substituiria? Um livro muito amado, antigo, não se edita mais, só o acharia em sebos, com sorte. A FNAC inteira o substituiria?
E Milla é minha mulher.
Seu livro, caro leitor, deve ter sido encontrado por outro, no mesmo banco de praça em que você o deixou cair, por engano. Ou naquele ônibus. Pior ainda: e se você não o tinha terminado de ler? Como saber como a história se desenrola e termina?
Alguém o achou. Alguém o lerá. Seu livro desempenhará a função para que veio, talvez tão bem ou melhor do que o faria com você. Seu livro, se posso dizer isso, será feliz como deseja.
Você? Passará o resto de sua vida em sebos e livrarias. Mas nunca saberá o final daquela história. O DVD do filme que fizeram sobre ela não conta. Nunca é a mesma coisa.
Donos, e Mestres, e Senhores, e todos que ostentam alegremente esses títulos: se vocês são sérios no que sentem, vocês são a parte frágil e vulnerável dessa relação. Temam. Trabalhem. Há risco. Eu me identifico, e receio por todos nós. Que consigamos manter nossas preciosidades. Que saibamos fazê-lo.
(Se não são sérios, é um jogo. Uma tolice. Uma brincadeira de crianças entediadas. Não sentem nada. Não precisam me ler.)
Milla é minha mulher. Amo-a como ninguém saberá fazer. Ela me retribui. Ela é minha cadela, minha puta. O sexo com ela é algo que eu nunca soube. Há coisas que são só dela, e sei que será assim para sempre.
A vida, pois, é extremamente diferente do que eu achava que ela era.
A vida me deu um presente, pouco mais de um ano atrás. Desde então, todo dia tem sido Natal. Todo dia tenho podido abrir meu presente, e os dias em que isso não foi possível me doem constantemente. Tive os dias de abrir as pernas do meu presente e enchê-lo de mim; entendi como as coisas deveriam ser. Lamentei que não sejam. Pelos menos agora.
Mas o presente mais certo de Natal não é esse? Esse que abrimos e nos descobrimos lá dentro? Como se quem nos deu o presente soubesse exatamente o que devia nos dar?
Milla é meu presente. Ela me reflete. Ela me responde. Ela me replica. Eu estou lá dentro dela, e ela me torna inteiro. Enchê-la de mim, como fazemos nas vezes em que podemos, é apenas celebrar isso. É apenas por-me fisicamente onde eu sempre deveria estar.
E é maravilhoso.
Agradeço a Milla por existir. Rogo que minha posse não se perca de seu Dono. Eu quero ler a história até o final, e quero acrescentar páginas e mais páginas para estender a história indefinidamente. É bom ser escritor. Depois, escreverei "Morpheus & Milla: A Saga Continua".
Agradeço a vida por tê-la me dado. Poderia não ter acontecido, e eu não saberia o que sei. Nem saberia que não saberia o que sei. A vida seria insuportavelmente mais pobre, e o fato de eu sequer desconfiar disso a faria ainda mais pobre. Tê-la ganho faz pensar que eu mereço algo; e que coisas boas ainda podem me acontecer. A Esperança tingindo os anos que virão.
Agradeço aos que me leem. Bem sei que apareço aqui bem menos do que deveria. Bem sei que pouco estou com os do Mundo BDSM, e que Milla faz essa relação social por nós. Lamento meu tempo exíguo. Aproveito para pedir desculpas aos que esperavam aqui algo mais BDSM. Considero-me alguém que encontrou uma guitarra e descobriu, dedilhando-a, como fazê-la funcionar. Não fiz cursos. Não li livros. Não decorei as regras. Eu acabei inventando a minha própria afinação, e meus dedos encontram as posições que produzem os acordes que eu sei que quero, e eu os encontro.
Eu não leio partitura, senhoras e senhores, mas é definitivamente música o que faço.
Um Feliz Natal a todos junto aos seus, um Ano Novo que siga trazendo presentes de Natal todos os dias, e que haja uma infinidade de Anos Novos adiante. Danem-se os maias que, aliás, nem disseram nada daquilo, não os culpemos por nossa própria ingenuidade...
Morpheus falou.

8 comentários:
Sr. MORPHEUS,
desejo que este belo e gostoso livro, que esta sendo escrito à 4 mãos e dois corações, não amarele nem estrague com o tempo.
Pelo contrário, apesar dos muitos obstáculos que por ventura venham a atravessar o caminho, os vários bancos onde o livro possa ser "esquecido momentâneamente", ele continue sempre colorido e sendo majestosamente escrito...
FELIZ NATAL!!!
Beijos carinhosos
Sr. MORPHEUS,Milla
Venho cumprimentá-los por este momento importante em suas vidas , ,desejar-lhes muitas felicidades e um Feliz Natal .
Que o ano que se aproxima seja repleto de coisas boas .
Beijos ,
luah negra .
bem e estou aqui novamente pedindo desculpas...desculpas por não ter podido visitá-los, a contento, devido á minha vida atribulada e tbm pela correria desenfreada em busca da tal felicidade....
porém hj é dia de rever os amigos, ler boas histórias e prestigiar o lançamento de um livro muito bonito e verdadeiro que está em construção, mas que seu prefácio já nos revela uma magnifica história alicerçada na honestidade de sentimentos.
toda emocionada com essa leitura rica em bem querer e amor puro e real....ahh..estou encantada e muito feliz, pois minha querida doce e sincera amiga Milla merece toda a felicidade do mundo!!!
então vou deixar meus votos para um maravilhoso Natal para Sr Morpheus e doses de tortura lascivas para minha amada Millinha....*pisc
bjs ternos
Feliz Natal para ti, entre os teus amados!
Que o Ano Novo venha te trazendo a realização de todos os teus sonhos, até os mais secretos, traga saúde, pazz, amor, $uce$$o!
Beijinhos!
Milla, agradeço os votos. E desejo que seu Natal tenha sido muito especial também.
E que em 2012 alegria, paz e muito amor seja sua companheira permanente em sua vida e dos que lhe são caro!
Beijão e obrigada pela visitinha, adorei!
flor de cristal{LB} .
Senhor Morpheus, que emoção ler o Senhor aqui. É tão bonito e gratificante quando é o coração que fala. Pq só ele entende bem as nossos necessidades.
Milla vc está de parabéns por ser a mussa inspiradora deste relato tão sincero.
Parabéns a ambos!
Beijo carinhoso,
flor de cristal{LB} .
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