“Que nome você vai usar?”, você me perguntou e eu ri, porque nunca tinha pensado nisso – e não é essa a suprema ironia? Eu, um fã tão ardoroso de quadrinhos, eu que como identidades secretas no café da manhã, não tinha uma para mim.
E nossa natureza exige que usemos identidades secretas.
Eu nunca tinha feito um blog, mas pensara em fazer blogs diversas vezes, e talvez ainda os faça, com as coisas que escrevo ou desenho. Mas nestes, eu vou me assinar com meu nome real, porque quero que saibam que fui eu que fiz, e o que eu fiz.
Já neste...
É curioso como eu deveria me orgulhar do que este blog vai descrever e, de certa forma, me orgulho, e você sabe disso, ou deveria saber. Mas seguiremos ocultos, agentes secretos de uma organização secreta de que só nós sabemos, e que resolvemos expor, dessa forma tortuosa. Vamos jogar contra o patrimônio, vamos dar um tiro no nosso próprio pé, vamos fazer time contra nós mesmos e expor nosso segredo...
E vamos ter o maior prazer em fazer isso. O que isso nos torna? Loucos, provavelmente, e acho que não podemos nos negar isso, podemos? Nus e cobertos por uma tênue máscara, saltamos na garganta da noite para salvar o mundo (o nosso), para defender os oprimidos (nós), para vingar... sei lá o quê, mas queremos que o quer que seja vingue, cresça, floresça.
Eu tinha que gostar disso. Eu já achava a idéia de fazer um blog com você uma outra forma de fazer sexo com palavras, isso que fazemos tanto. Agora, acho ainda mais gostoso: somos heróis da resistência...
“Que nome VOCÊ vai usar?”, perguntei de volta, tentando ver se isso me ajudava a decidir.
“Milla”, você respondeu. Não sei a razão por trás desse nome (quero até te perguntar isso), mas acho uma versão do nome que a gente já usa para você. Legal; mas não me ajudou em nada. Eu seria o Millo? Não.
Pensei e lembrei do Sandman, de Neil Gaiman, a melhor série de histórias em quadrinhos já escrita (muito recomendável, caros leitores), que trata do Rei do Sonhar, o deus dos sonhos, para quem os gregos tinham um nome, que o personagem também usa: Morpheus. Achei bom. Morpheus. Tem a ver com as minhas preferências / referências artístico-literárias, com o que eu penso, e sinto e gosto, e ainda traz a mitologia grega, que é outra paixão. Morpheus. E soa bem. Morpheus.
Então, lembrei de “Matrix”, e de como o Morpheus de quem muitos se lembrariam seria aquele, desassociado de todo o referencial que certamente guiou os Wachowski a escolherem aquele nome. E pensei em como esse nome ia cheirar a nerdice primária...
Bom, não se pode ter tudo. E sou nerd, de fato. Longe de primário, espero.
“Morpheus”, eu disse. Eu serei Morpheus. Eu sou Morpheus.
Prazer em conhecê-los.
(Escrito por Morpheus, Senhor do meu Universo.
Amor reencontrado e de tantas existências)