Junto os polegares e faço um pássaro, meus dedos em asas abertas.
Faço baterem as asas, leves e lentas como as de uma borboleta pousada em uma flor.
Ergo as mãos e as separo: solto o pássaro, que alça vôo.
Ela é o pássaro que criei, para mim e para ela
. Ela voa, para mim, porque eu quero assim. Eu a quero assim.
Faço um ninho para ela em meu peito, em meu colo.
Meus pelos acolhem seu sono. Ela dorme em meu pau.
Sou o leito em que ela dorme.
Sou o céu em que ela voa.
Sou, quando desejo, o gato que a devora.
Minha, para mim, e permaneço.
Ela vive em mim mais do que nela própria.


