Milla: De que são feitos os teus tempos?
Morpheus: Da matéria fugaz que compõe os sonhos que queremos realizar, mas não conseguimos alcançar, ou encaixar em nossas vidas...
Milla: De quantos sóis necessitas para sair de tuas prisões?
Morpheus: Eu nunca soube... eu sigo esperando os sóis passarem e espero sair de minhas prisões. As piores noites têm um sol pregado em cima, escrevi uma vez.
Milla: De quantas luas fazes uso para tecer tua poesia?
Morpheus: Eu invento as luas dentro de mim, e a poesia me vem. É mais fácil quando alguém me traz a Lua, como você. Não é à toa que a Lua era uma deusa, ou mais de uma, se pesquisarmos bem. Você tem sido a minha deusa, e responder a você já é quase fazer poesia...
Milla: Quantos sóis e quantas luas,
quantas noites e quantos dias...
Morpheus: Eu gosto de pensar que nunca vou embora. Que estou dentro de você, guardado em seu coração
guardado em sua buceta,
guardado em sua mente e em sua alma
Assim, jamais me afasto. Assim, jamais deixo de existir...
Milla: Nunca respondes quando meu grito dilacera as madrugadas
Morpheus: Acredite que se você grita... O meu desejo é ser a causa dos seus gritos, uma causa das mais belas e nobres e safadas, ser a causa e a consequência dos seus gritos...
Milla: e te procuro dentro da noite que se esvai
Morpheus: Procure-me onde eu estou. Onde você me pôs. Onde me honro de estar. Em minha casa...
Milla: enquanto eu fico,
desejo e gozo sufocados,
amassados nos lençóis da aurora que me cobre
Morpheus: Se teu gozo está sufocado, o meu quer respirar teu fôlego.
Milla: Se o que tenho é a incerteza da espera
meu corpo arde no que mais me falta
Morpheus: Sem resposta. Isso é lindo...
Milla: esfrego-me nas paredes
Morpheus: Sou as paredes...
Milla: derrubo quadros e imagens
Morpheus: Sou as imagens em sua mente.
Milla: grito seu nome e em resposta escuto o eco trazido pelos ventos
Morpheus: Pode ser a minha voz...
Milla: eles me acariciam o corpo
Morpheus: Sou eu...
Milla: marcado por tão longa espera
de você
Morpheus: Eu nunca me fui...
Milla: que simboliza hoje
o que seria a minha eterna solidão
Morpheus: Não diga isso. Há um histórico divino e mitológico que nos sustenta. Eu não sei se serei sozinho de novo. Eu sei que você existe.
Gostaria que se sentisse assim... Você é minha, minha, minha...
Esse texto é um poema escrito a quatro mãos. Milla escreveu,
Morpheus escreveu,
Os dois escreveram e continuam escrevendo.
Para compreendê-lo, você pode ler Milla e depois Morpheus, ou pode ler os dois juntos. Não há fórmula, não há receitas, não existem modelos determinados.
Eles buscam a sua trilha,
enquanto dá-se a caminhada.
O caminho?
Eles seguem.
Onde irão?
Ao encontro do que é desejado, não importa quanto tempo dure...
Sempre foi assim...